quarta-feira, 3 de novembro de 2010

- O Antes e o Depois da Chegada à Maternidade
Há mais de uma semana que andava a queixar-me das costas e tinha algumas dores - contracções - mas era coisa pouca.
De 30 para 31 tive uma noite horrível! Doía-me muito as costas e as pernas e estava com febre. Era como se o meu corpo sentisse que o Rodrigo ia nascer.

Às 7.30h eu e o Rui levantamo-nos, vestimo-nos, fomos tomar o pequeno almoço e depois despedimo-nos dos meus pais.
Fui a viagem toda de casa ao hospital a pensar pelo que iria passar e estava com muito medo.
Chegamos a Gaia, estacionamos o carro e tiramos as últimas fotografias antes de sermos Mãe e Pai.
Dei entrada no Serviço de Internamento da Maternidade de Gaia pelas 8.30h. Fiz a inscrisão e passados alguns minutos fui chamada à Sala de Traçados. Foi feito um último procedimento antes do parto
de modo a poder avaliar a frequência e a duração das contracções assim como os batimentos cardíacos do Rodrigo.


- A Indução do Parto  & 
Após avaliarem a frequência e a duração das contracções e dos batimentos cardíacos do meu bebé durante 10 minutos, fui acompanhada por uma enfermeira até à sala de espera onde estava o Rui para ela me levar a mala e ser encaminhada para a Sala de Partos, mais propriamente até à Sala de Expectantes às 8.55h.
Despedi-me do Rui com as lágrimas nos olhos, abraçamo-nos e ele desejou-me Boa Sorte e que estaria à espera de uma mensagem minha quando chegasse a hora de ele assistir e que iria esperar por mim no Hospital.
A enfermeira pegou na minha mala, agarrou-me pelo braço e fomos!
Estava triste e só pensava no meu filho!
Cheguei ao quarto, a enfermeira pousou a minha mala em cima da cama e mandou-me vestir uma camisa. Fui ao quarto de banho e vesti. Voltei para o quarto e a enfermeira de serviço mandou-me deitar e eu deitei-me. Começei novamente a chorar e outra enfermeira veio ter comigo a perguntar porque chorava. Eu expliquei que estava com medo que corresse mal e ele tranquilizou-me. Passado 10 minutos, veio até ao quarto uma outra enfermeira que tinha entrado ao serviço na troca de turno e iniciou a indução sob a forma de comprimido via vaginal às 9.05h. Desde esta hora até ao 12h ainda troquei algumas mensagens com Rui e sentia que mais cedo ou mais tarde iria ver o meu bebé.
Entretanto chegou o almoço e começei a sentir dores. Não conseguia estar sentada nem deitada. Doía-me muito as costas e estava sozinha no quarto, sentia-me sozin
Trabalho de Parto

Entrei em trabalho de parto por volta do 12h. Começei a caminhar pelo quarto e a fazer alguns exercícios de forma a reduzir o tempo do nascimento do bebé assim como a redução das dores. A fase inicial do Trabalho de Parto deu-se com exames frequentes de forma a verificar a posição do bebé e a frequência cardíaca do mesmo; medição da tensão arterial, pulso, temperatura e a dilatação do colo do útero. Fui também submetida a exames vaginais. Por volta das 15.35h vieram-me buscar ao quarto para me aplicarem a epidural, pois já estava com 2 dedos de dilatação. Fui de maca até à Sala de Partos e mandei mensagem ao Rui a dizer onde estava e que iria levar a epidural porque já não aguentava com as dores. Na chegada à Sala de Partos tiraram-me o telemóvel.
Colocaram-me no braço esquerdo um cateter com soro, nas costas o cateter para a epidural, na saída da urina um saco, três sondas na barriga para ver os batimentos cardíacos do Rodrigo e outras três sondas para medir os meus batimentos cardíacos.
Desde as 15.35h até às 20h levei epidural de 20 em 20 minutos porque as dores eram horríveis. Ainda para mais tinha ao meu lado e à minha frente duas outras grávida na mesma situação que eu e quando uma gritava de dor, as outras também gritavam.
Eram 17h, tinha 5 dedos de dilatação e já espera na expectativa de ter o Rodrigo no dia seguinte, mas sabia que tudo estava nas mãos de Deus. Parecia que as horas não passavam.

- Hora do Parto
Olhei para o relógio e já eram 20h. Tinha 7 dedos de dilatação e eu já não aguentava de tanta dor. Doía-me muito as costas e não conseguia estar deitada. Por mais que me deitasse, tinha que me levantar e colocar uma almofada sobre as pensas e deitar-me sobre ela. Sentia-me enjoada e tão cansada que cheguei a vomitar o almoço.
Por outro lado, pensava que o Rui já não iria assistir ao Parto e isso deixava-me irritada. Derrepente a enfermeira mandou entrar o Rui e eu senti-me tão bem quando o mandaram entrar.
Só de ouvir o nome dele até me deu ainda mais força. A parteira e a enfermeira decidiram cortar-me e iniciar o Parto. Voltei a vomitar.Já era chegada a hora de ter o Pequeno Rodrigo. O Rui agarrou-me a mão e gritava "FORÇA!! Não desistas!" Foram 11 minutos a puxar e a tentar expelir o Rodrigo. Não sentia as pernas e nem sabia que força fazer. A parteira apenas disse: "Estou a ver a cabeçinha do seu bebé... força!" Eu sinceramente não sei que força fiz e eis que oiço o choro dele e o Rui a dizer "Olha ele!" e abraçou-se a mim a chorar, enquanto a parteira colocava o bebé nos meus braços. Olhei para o meu filho e pensei no que dizia em Jeremias 1 versículo 5:
“Antes qu eu te formasse no ventre eu te conheci e antes que saísses da madre, te santificarei ás nações e te dei por profeta”.
Foi LINDO!


- Após o Parto
Após o Parto levei alguns pontos e passados alguns minutos vejo o Rui com o nosso bebé nos braços. Ele era tão pequenino, tão lindo!
Depois disto, fui tranferida para um quarto onde me deram o jantar para depois dar de mamar ao Rodrigo.
Enquanto jantava o Rui estava com ele ao colo e ligou aos nossos pais a avisar que já tinha nascido.
Depois de jantar, tentei dar de mamar ao Rodrigo mas ele não queria. A enfermeira pegou nele e disse que ele tinha fome pois ele estava a mamar nos dedos. Voltei a tentar e ele mamou 5 minutos e depois disso já eram 21.30h e o Rui despediu-se de nós e foi embora.
Entretanto a enfermeira levou-me deitada na maca com o Rodrigo até ao quarto onde iria ficar os seguintes 3 dias. Fiquei na Enfermaria 3, na cama 24.
Depois da chegada ao quarto, senti muito frio e estava com muitas dores por causa dos pontos. Depois disso, começei a ter efeitos secundários da epidural. As minhas tensões baixaram, estava com muitos vómitos e incontinência.
Foi uma noite mal dormida!
O Rodrigo passou a noite toda sem pedir mama e às 7h uma enfermeira veio ao quarto perguntar qual foi a última mamada do Rodrigo e eu disse que tinha sido na noite passada e ela levou o Rodrigo para dar biberão e medir os níveis de açucar no sangue.
Quando voltou com o Rodrigo disse para ter atenção às horas e para acordar o Rodrigo de 2h em 2h para dar de mamar, pois ele era muito preguiçoso e precisava de comer.
Eram 9h acordei o Rodrigo e ele voltou a mamar apenas 5 minutos. Ele magoava-me muito no bico e não puxava para mamar.
Na horas das visitas, por volta do 12.30h, o Rui subiu e tentou ajudar-me a dar de mamar e o Rodrigo não mamava.
Chamei uma enfermeira de serviço e ela ajudou-me a dar de mamar e aí sim, o Rodrigo mamou 12 minutos.
Na terça-feira, uma enfermeira sugeriu que comprasse um bico em silicone para ajudar o Rodrigo a mamar melhor.
Eu comprei e desde aí o Rodrigo começou a mamar melhor.


- Primeiras Horas do Rodrigo

Desde que saiu do ventre, o Rodrigo tem se mostrado um bebé muito calmo.
Durante a gravidez dormia muito e ouvia música relaxante.
Posso dizer que ele raramente chora. Nem no banho ele chora.


- Visitas ao Rodrigo

As visitas do Rodrigo nas suas 24 horas de vida foram imensas.
Obrigada a todos pelo carinho e pela atenção dispensada! Vocês sabem quem são.
Um Obrigada Especial ao Rui! Foi incansável connosco.



- Experiência Pessoal

Rui:
Eu descrevo esta experiência como: ÚNICA e EMOCIONANTE!
Acompanhei a Paula em todas as ecografias e em todas as consultas no médico de família e ver o nosso filho a crescer dentro da barriga é fantástico.
Foram nove meses
de especial compreensão e atenção para aquele novo ser que estava a caminho.
Estar presente no momento do parto, é fazer parte da história de vida do bebé desde o primeiro suspiro.
Sei que o meu apoio foi imprescindível, pois ao entrar no quarto, onde a Paula estava, percebi que ela estava a sofrer e eu como namorado e futuro pai teria que a ajudar de qualquer maneira.
Foi o momento mais belo da minha vida e não pensem que desmaiei!

O momento do parto foi único e farto de emoções.
Sim, sou um pai babado e hoje penso que se a Paula abortasse, eu nunca iria experimentar esta felicidade tão grande e tão bonita de ser vivida!


Paula:

Pesquisei na Web e ao entrar num site sobre o Aborto vi que a minha decisão era a forma mais cruel, desumana e inaceitável do mundo.
Ao ler uma carta do bebé à sua mãe no momento do aborto, do qual ele diz que a ama e de repente alguém com coragem o suga de dentro do ventre, senti-me um lixo sem paradigma.
Pensei na vida, no quanto eu queria ter um filho, não naquele momento,
mas queria ser mãe um dia e decidi que tudo o que pensei e sofri, merecia um castigo maior, em dobro e que aquela barriguinha linda que eu carregava era um fruto do amor, eu já o amava e não queria aceitar, o que era ridículo.
No momento em que vimos que o teste deu positivo eu e o Rui pensamos em abortar, mas logo o Rui disse: “Eu quero ser pai! Não importa a hora, se veio agora é porque Deus nos deu esta oportunidade e temos que aceita-la!”
Ainda hoje, guardo os papéis que ia assinar para iniciar o Aborto mas o amor pelo nosso bebé foi maior.
Pedi perdão a Deus pelos meus pecados, pedi perdão pelos meus pensamentos ao meu filho.
Muitas foram as pessoas que nos julgaram e lançaram pedras mas conseguimos suportar tudo isto e olhar em frente. Porque muitos foram os que nos deixaram para trás!
Em Setembro resolvi fazer um chá de bebé na Igreja, ganhei muitos presentes e fiquei toda pintada de batom, com totós no cabelo e um vestido de palhaça.
Fiquei muito feliz em demonstrar que era mãe, todos me achavam bonita de barriga e fui ficando cada vez melhor e feliz. Em Outubro, nasceu o nosso filho: lindo e maravilhoso. Nasceu uma vida que veio para me fazer feliz, que choro por ter pensado em não tê-lo comigo, e fico a imaginar a dor de uma mãe quando perde um filho por várias razões, seja de assassinato ou doença. Penso que não suportaria perdê-lo e ficar longe dele, pois, ele veio com muito amor.
Lembro no Hospital, o Rui a assistir ao parto a chorar de felicidade e dizer que ele era lindo. E quando olhei para ele, ele estava de olhos abertos, parecia que me estava a reconhecer.
Recordo-me da primeira roupinha que comprei, da primeira mamada, do primeiro sorriso, da primeira muda de fralda, do primeiro banho, do primeiro choro.

Eu amo o meu filho, muito mais do que a mim mesma pois tive tantos pensamentos
mass. Um filho é vida, é tudo.

Um dia mais tarde vou contar-lhe que olhei para trás muitas vezes mas que me orgulhei de não ter desistido, de como aprendi a erguer a cabeça mesmo quando me tentavam fazer acreditar que devia fazer o contrário.

2 comentários:

Anônimo disse...

que história bonita paulinha *.*
fiquei emocionada a sério!
ainda bem que nao desistiram desse bebe tao lindo, pois apesar de nao ter sido planeado e talvez não no melhor momento, ainda bem que ele veio conhecer o mundo.
parabens mesmos a ti e ao riu, pois tenho a certeza que vao ser uns pais magnificos e dedicados, parabens tambem ao rodrigo por ser tao lindo e fofinho :)
Ass:Tânia Seabra

Unknown disse...

Sem palavras, Deus vos poupou de algo...
Voçes sabem, contem sempre connosco e é assim mesmo FORÇA... Beijo grande fiquei emocionada

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